GUNNER no Airsoft!

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GUNNER no Airsoft!

Hop!

Após nosso podcast especial com a moçada do Raptors Airsoft Division (com o tema: sniper no airsoft) trazemos agora uma super entrevista com os precursores, os dinossauros, os mais old school motherfucker from hell que jogam na (ingrata) posição “suporte / gunner”, os verdadeiros carregadores de piano do Airsoft nacional!

Castro (WKG e 75 Rangers / RJ), Mike (SO4 / RJ) e Titi D´Avila (Chulé de Coturno / RS) respondem algumas perguntas “cabeludas” sobre essa posição tão desejada, mas pouco compreendida. São ao todo 10 perguntas que auxiliarão ao futuro jogador decidir (ou não!) ser suporte no nosso esporte.

Desde já agradecemos aos amigos Castro, Mike e Titi pelo apoio e pela participação aqui no TR.

Muitíssimo obrigado a todos vocês!

 

1) Dentre as “posições” disponíveis, porque escolheram a de suporte?

CASTRO: Acho que foram basicamente 2 ou 3 fatores que me levaram a assumir o manto de suporte. O primeiro motivo com certeza foi o peso das “magrelas”. O peso é algo muito fora da realidade. Senti um pouco mais de realismo com a M249. O segundo motivo era que ninguém queria aquilo, ser suporte parecia praga. Só de pegar em uma arma de suporte, metade do WKG já se queixava. Lembro que na época da primeira leva de armas de suporte do Brasil, vindas pela Camuflagem (A&K) o Malha ate pensou em comprar uma suporte, mas desistiu no meio do caminho. De todos os membros do WKG os únicos que investiram na ideia fomos eu e o Coral, sendo que para o Coral não foi algo permanente, usava quando dava na telha.

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MIKE: No meu caso, quando comecei no airsoft em meados de 2009 (ou 2008 não lembro quando começamos), eu era assault (geralmente é a posição mais escolhida por iniciantes), e em alguns meses reparei que o suporte era uma peça muito útil dentro de uma equipe por “N” motivos, e na nossa equipe éramos todos assault, então, pensando no squad fiz essa escolha, mas logo no primeiro jogo de suporte tinha visto que era a escolha mais correta pra mim.

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TITI: Essa primeira pergunta parece algo fácil de responder, mas só parece. Se a conversa fosse sobre paintball a minha resposta seria bem fácil e rápida, mas como estamos falando de airsoft o buraco é muito mais embaixo.

Bom vamos lá, vou tentar ser o mais sucinto o possível, quem já me conhece sabe que é algo que eu não consigo ser, que gosto de explicar tudo bem “explicadinho“, de contar tudo nos mínimos detalhes.

Escolher ser o suporte do time, ou jogar de suporte foi algo que aconteceu quase que naturalmente pra mim, isso foi lá no começo Real Action Brasileiro. Antes de formar o Chulé de Coturno com alguns amigos e colegas da faculdade de desenho industrial (Design) a gente costumava se reunir pra jogar paintball em campos de aluguel aqui de Porto Alegre, e a brincadeira como vocês sabem, depois que ela entra na pele não sai nunca mais.

Foi quando um dos colegas de faculdade resolveu comprar a primeira arma de paintball que nós conhecemos o Caue Pain, da Combat Zone, fundador da CZ.

Na primeira conversa que tivemos ele já foi mostrando todos os equipamentos, loadout, falando de eventos e jogos de wood, big games, jogos em cenário urbano, só isso já foi o suficiente pros olhos brilharem e como golpe final naquela conversa o Caue Pain, vai e diz: ” se vocês quiserem eu posso montar em jogo de combate urbano para vocês.

Aceitamos na hora e assim em todo jogo que o Caue montava sempre tinha aquela conversa sobre jogos temáticos, cenário e algo que estava começando na “gringa” que era o tal Real Action.

Não preciso dizer que a cada jogo a turma crescia, e estamos falando de período pré redes sociais, quase ninguém tinha acesso a internet e dos que tinham poucos participavam de fóruns. Era tudo no boca a boca mesmo.

Foi no primeiro evento organizado pela Combat Zone Paintball que o Chulé de Coturno realmente debutou como time, e é nesse evento que realmente começamos a jogar com as primeiras regras de Real Action (depois que tu começa RA, só o mata-mata perde um pouco do brilho). Foi quando começamos a jogar com regras de médico, especialistas e principalmente a regra de recarga, restringindo assalto com recarga de 30 bolinhas e suporte com recarga de 200 bolinhas. Foi nessa época que eu comecei a jogar de suporte, a escolher equipamentos que ajudassem nessa função, da gun ao loader, etc…

Muito antes de jogar paintball e posteriormente airsoft, sempre gostei das armas de suporte, com munição em cinta, desde as MGs alemãs, M60, e principalmente a família M249 da FN.

Com o paintball, mais precisamente com os primeiros jogos de Real Action, no começo dos testes das regras, jogos e primeiros eventos do RA no Brasil que eu realmente comecei a jogar como suporte. Vale lembrar que no paintball havia poucas armas que eram parecidas ou carenada como armas reais.

Teve um período enorme de descaracterização e desmilitarização das armas de paintball ( até hoje tem quem chame a arma de paintball de “marcador”), então os equipamentos eram no máximo parecidos com alguns modelos reais.

As poucas marcas que ofereciam peças de carenagem e customização só tinham peças ou partes de AK, Mp5, M4, e mesmo assim elas ficavam no máximo parecidas.

Outro fator importante é que mesmo tendo a opção de armas carenadas, esses modelos tinham um desempenho muito inferior as armas de competição ou speedball. Já as guns de speed são realmente superior em desempenho, mas até hoje tem cara de que saíram direto de uma temporada ruim dos power ranges. ( que fique claro, Power Ranger nunca foi nem nunca será bom).

Aqui a minha intensão é contextualizar como foi o inicio da brincadeira dos tirinhos. As armas bacanas e bonitas, carenadas eram mais caras e entregavam menos que as guns de Speed (quando se fala de desempenho). Outro fator é que se quissemos um modelo especifico de arma era preciso botar a mão na massa e fazer artesanalmente o MOD.

No Real Action a intensão sempre foi simular ao máximo as situações de combate, por isso o conjunto de regras construídas, usando da melhor forma possível as ferramentas que tínhamos disponíveis, que na época era o paintball, que mesmo com as suas inúmeras limitações tornava a brincadeira possível.

Vale ressaltar que sempre vivi um paradigma no RA, dignos de conversas enormes em fóruns, com direito a muito cara torta de puristas e xiitas do RA, afinal eu jogava RA com gun de speed.

Sim! Montava o loadout todo perfeito, fardinha, chest, coturno, rádio e uma Autococker ou a Shocker (guns de speed) com HPA e um loader de alimentação forçada. Tudo isso contra guns todas carenadas parecendo m4s, Ak47, Mp5, etc.Tudo isso para mostrar como era diferente jogar de suporte na época do paintball.

Comparando com o airsoft seria como usar uma MP7 mega “foderástica” precisa, rápida com drum gigante. Até ai parece só vantagem, alegria pura, tu com uma gun superior, pequena ágil, com 200 bolinhas contra as recargas de 30 tiros dos outros jogadores.

A questão principal ai não é o equipamento, mas sim a função exercida dentro de campo, é parte estratégica dentro do time, era como usar e posicionar o poder de fogo que a SAW oferece ao squad que fazia, e faz até hoje a diferença. Ser suporte não é a fantasia de ter munição ilimita e fazer tiro ao pato, sem que os patos revidem.
Ser suporte é garantir o avanço e movimentação do squad, é reter o avanço através da supressão de fogo é somar a força do time e não apenas gastar munição.

Tá e o airsoft, como tu escolheu ser suporte no airsoft?

O airsoft é uma história um pouquinho mais curta, mas de novo é culpa do Caue da CZ. Nesse ponto já tinha alguns bons anos de paintball, o RA já era bem conhecido e muito jogado no Brasil inteiro, já tinha o Paintball Cenário, redes sociais e o estatuto do desarmamento.

Eu posso dizer que fazia anos que a gente via nos sites gringo as AEGs, ficava babando nelas, pensando no jogo de “cavaleiros” que deveria ser o Airsoft e lamentando não poder importar as arminhas de bolinha (mimimi de preguiçoso ignorante, porque nessa época já tinha CAC importando legalmente o airsoft, mas isso é história para outra conversa, hehe).

Até que em um final de semana qualquer de 2008 o Caue convida para ir ao campo da Combat Zone e apresenta as primeiras AEGs da comunidade. Passamos o dia inteiro brincando, testando e babando na S-System da Jing Jong, maravilhados com o desempenho, o magazine e o principal, ela não precisa de cilindro de gás.

Até aqui parece que estava tudo resolvido, mas na verdade a gente correu para a internet atras da primeira loja a vender airsoft legalmente no Brasil.

Como alegria de pobre dura pouco, a gente descobriu que a primeira loja a vender airsoft no Brasil não tinha nenhuma arma a pronta entrega, tudo seria através da tal “pré-venda”. Só um detalhe: no site da loja não tinha opção nenhuma de suporte, só tinha o básicão, M4, AK47, G36, no máximo uma Scar-L e nenhuma dessas guns eram “a gun”.

Guns de suporte, as SAW, principalmente a m249 é uma gun que sempre atraiu, sempre gostei dela, da clássica M60, sempre gostei de gun de suporte, das “metrancas”.

Foi na febre de comprar a AEG que eu entrei em contato com a loja, perguntando se na segunda leva deles teria a venda a M249 MKII e depois de muitos e-mails e longas conversas com a loja eles confirmaram que importariam ela. Ai não teve mais volta, a minha primeira AEG foi uma SAW.

Ok mas porque uma SAW? Vou ser bem sincero, a M249 sempre foi sonho de consumo e se desse uma merda muito grande e o airsoft fosse fogo de palha onde só o Chulé de Coturno e a CZ Team tivesse as arminhas pra brincar, das duas uma, ou pendurava ela na parede ou estripava a gun e botava uma Shocker dentro dela e seguia jogando paintball. Pra minha e a nossa sorte o AS no Brasil esta ai vivo e forte. Desta forma os primeiros dois anos foi só com ela, matando o tesão de finalmente ter a minha M249 MKII e aprendendo a ser suporte com airsoft.

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2) Quais são os requisitos principais para o jogador que quer entrar nesse “mundo gunner”?

CASTRO: Inquestionavelmente, para desempenhar tal função com maestria no AS, vale bastante saber se posicionar. A natureza desse conhecimento naturalmente eleva e muito não apenas o uso do equipamento (arma), mas a efetividade como suporte no teatro de operações.

Uma das coisas que muito me ajudam, foi a obrigatoriedade, dentro do WKG, de treinar pra caralho, em todas as posições de um esquadrão. Independente da sua arma, todos os membros, treinavam pra saber assumir qualquer posição dentro do esquadrão. Inquestionavelmente isso me gerou uma melhor percepção em relação a leitura do nosso coletivo tanto ofensivamente quanto de forma defensiva.

Outra coisa obvia, mas que assumo como de grande importância também, é a fluência com quem está no comando.

MIKE: Ele tem que estar disposto primeiro, a carregar mais peso que os demais da equipe, mas somente isso não o definirá como suporte, vai muito além disso.

O Gunner tem que ser uma agente facilitador (palavra usada pelo amigo Rui Godinho do GEAR) dentro do squad, na minha opinião o suporte é uma peça específica para auxiliar seus companheiros através da supressão para o avanço do squad, ou recuar diante de alguma adversidade, ou que cumpra alguma outra tarefa determinada pelo equipe em prol da mesma.

Por já estar com o equipamento de maior peso em campo, o ideal é ajustar todo o seu “equipo” de forma “compacta” no que se diz respeito ao uso, “MENOS É MAIS”, não adianta carregar a casa inteira, tem que ajustar o seu equipamento com a realidade do game, ou evento. Estar preparado para sanar uma pane da arma de suporte, muitas vezes isso ocorre em campo, já vi muito isso acontecer, e já ocorreu comigo.

Deve-se conhecer bem a sua AEG, o que geralmente dá problema, na Airsoft Brasil (ASB) existem alguns tópicos à respeito onde eu aprendi muito no começo, com o Castro, Titi D’Avila (Chulé de coturno – RS), Crocodilo (Lobos DF), dentre outros caras que são gunners na veia.

TITI: Ombro e costas. Muito ombro e costas…  Hahaha, tô brincando. (mas realmente ajuda muito, haha).

O principal para entrar no “mundo gunner” é resiliência. Porque além de carregar peso tu vai ter que saber que possivelmente os outros player não sabem jogar com um gunner do lado. Que ser o gunner não é só poder usar o full e ter o highcap cheio. O requisito principal para ser um gunner de verdade é saber que sem o resto do squad não existe o gunner. Sem o resto do time o gunner é só mais um jogador carregando peso extra de graça.

 3) Em termos de equipamentos, o que vocês recomendam? O que não recomenda? (Marcas, modelos, etc?)
 

CASTRO: Não sou a melhor pessoa para falar de equipamentos. Sou extremamente preconceituoso com algumas marcas graças a infinidade de porradas e eventos frustrados desde de 2009, quando as primeiras armas de suportes desembarcaram no Brasil pela Camuflagem Airsoft.

O ideal é correr dos clones (A&K, ECHO1) das principais marcas e das marcas que abusam do plástico em sua composição. Se ainda sim for algo improvável, assim que puder, compre para um bom conjunto de hop-up, use bbs de qualidade sempre e por fim compre um drum sobressalente, de preferencia um de marca como os da Classic Army. Para modelos de armas de suporte específicos, a lista de essa lista aumenta um pouco.

Acessórios externos como dots, peqs e outros acessórios diretamente fixados a arma eu aconselho, para um primeiro contato, deixar de lado. Como suporte nunca vi tanta efetividade neles, a não ser em situações muito especificas como jogos noturnos e outras situações muito atípicas.

MIKE: Na minha opinião, os melhores modelos para suporte são a M249 e similares (MK48, MK46…), por ainda haverem peças de reposição disponíveis no mercado, e a RPK, tb pensando em peças de reposição, pois muitas peças de AK servem nela.

Óbvio que queremos comprar aquele modelo que mais nos agrada, satisfação pessoal…mas há de se pensar que, comprar um arma somente pela beleza, pela satisfação pessoal, não é tudo, pois se houver um problema e não houver peça de reposição no mercado, a AEG vai ficar pegando poeira no armário.

Marcas pra M249, a mais acessível e com bom acabamento é a Classic Army. G&P é uma marca ótima, A&K é a mais popular, mas geralmente tem que se fazer alguns upgrades pra que ela funcione 100% e Inokatsu é top de linha…com relação a RPK, nunca tive uma, tive uma AK47s da Cyma, e apesar de ser Cyma (muitas pessoas não curtem) a minha era perfeita. Já vi gente que optam por outros modelos de suporte improvisarem peças de outras AEGs de assault, como no caso da RPK e AK, mas isso dai é fruto de muita pesquisa em foruns, e coletando informações aqui e ali com quem já passou por tal situação.

TITI: Bah! Vocês sabem o nosso hobby tem um lado muito fetichista, e isso fica visível quando criamos as classes como sniper, gunner, DMR, etc… Então algumas recomendações podem parecer bem interessantes e outras nem tanto, mas tudo isso conforme o gosto e o fetiche do jogador. Bom mas vamos lá.

A primeira coisa que eu recomendo é pesquisar e comprar um bom equipamento de proteção ocular, seja óculos, goggle, mascara full face. Se for pra jogar que seja nisso que tu gaste teus pilas com gosto. Que fuja dos óculos xing-ling e da maioria dos EPI que se vê sendo usados em jogos.

Quer investir em algo, investe na tua proteção primeiro. Afinal ainda não da pra comprar olho no ebay.

Quando falamos das guns eu sempre recomendo a escolher o modelo que seja o sonho de consumo. Mesmo eu tendo preferencias por determinados fabricantes, as armas de airsoft ainda são em sua maioria a mesma “porcaria” ( a engenharia delas é 99% a mesma, com pouca ou quase nenhuma diferença).

Claro que existem detalhes de material acabamento e perfumaria que mudam conforme o fabricante, mas no fim continua sendo tudo a mesma coisa.

Só para dar o exemplo, entre uma m249 da A&K ou Classic Army, duas marcas bem comuns e conhecidas, sabemos que ambas são praticamente iguais, a principal diferença esta na qualidade de acabamento, porque tu consegue obter o mesmo desempenho em ambas.

Outro exemplo que eu gosto de dar é no caso da M60, é outra gun de suporte que eu gosto muito e tenho uma M60E4 da marca Ares, mas particularmente eu não teria a mesma gun se fosse de outra marca. A M60 é uma gun linda, mas não é uma gun fácil de manobrar e por causa do drum que é a esquerda ela fica muito desequilibrada. No caso na M60 da Ares ela é praticamente de polímero e alumínio, o que torna a arma muito leve e assim mais fácil de manobrar e jogar por longas horas.

Sim eu prefiro uma arma de plástico a uma “full-metal”, tanto que o meu sonho de consumo é uma M249PARA da Ares, todinha de plástico. enquanto isso sigo com a M60 e a minha MK43 da A&K, hehehe.

Não creio que isso seja uma recomendação, mas se a escolha for jogar de gunner, o legal é montar um loadout gunner. Sabe pesquisar sobre quais tipos de equipos são os mais comuns usado por gunners em forças de segurança e ver o que mais se encaixa ao teu estilo de jogo e bolso.

Claro que montar um loadout legal depende muito do posicionamento do jogador, tu pode por exemplo recriar o loadout adotado por forças especiais ou montar um loadout único conforme as tuas necessidades.

Agora o que eu não recomendo de forma alguma é usar óculos de proteção xing-ling e óculos de EPI.

4) Em média, para um jogo de +12 horas, quantas “bolinhas” por DRUM vocês carregam consigo? Há necessidade de mais DRUMS? 

 

CASTRO: A configuração que sempre usei para eventos de 12 horas era baseada em um saco de bbs de 0,20 (4000 bbs).

Carregava sempre em meu colete, dois drums de 1500 bbs, um cheio, outro vazio, bem como o resto da munição disponível em diferentes pouches do colete.

Não arrisque entrar em um evento com menos de dois drums. Independente da marca, evitando assim qualquer frustração.

Também recomendo e muito, deixar em algum local do colete, alguns carregadores de M4/M16 disponíveis também pra eliminar  qualquer inconveniente gerado por carregadores elétricos (drums).

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MIKE: A quantidade de BBs é muito relativa. Tem missões que conseguimos cumprir sem dar um único disparo, e há jogos onde se pode gastar quase dois sacos de BBs. Particularmente, em jogos de longa duração, eu nunca gastei mais de 1 saco por dia. Mas como disse isso é muito relativo, depende do jogo, das missões, do dedo de quem está com a suporte, não é por ser gunner que se deve atirar desenfreadamente sem um objetivo claro.

Eu sempre usava dois ou três Drums. Um direto na AEG, e os outros de reserva, caso o primeiro quebrasse….”quem tem 3, na verdade tem 2, quem tem 2, na verdade tem 1, quem tem 1, na verdade não tem nenhum”.

E em todos os eventos nacionais que eu fui, pelo menos um dos Drums deu pau. Pra recarga do drum que estava em jogo, eu o abastecia de BBs durante do game, sem trocar pelos demais.

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TITI: Eu costumo ponderar a quantidade de “bolinhas” que carrego, sempre conforme as regras que serão usadas ou adotados no jogo ou evento, mas já teve evento que carreguei comigo mais de 16.000 “bolinhas” e ainda sim fiquei sem munição.

Quanto a necessidade de mais de um drum, é sempre bom ter um reserva, não para simular a recarga em jogo, pra isso eu prefiro usar uma garrafinha pet com as bbs, mas por mais forte que pareça o drum, eles são umas coisinhas “meio frágeis”, então é bom ter um segundo por garantia. Por exemplo, se o gunner joga com uma m249 e quebrar o drum tu resolve usando um magazine de m4 qualquer, agora se for uma M60 a gun já fica fora de jogo.Só um detalhe bem simples, sempre levo mais munição, porque algo que eu aprendi é nunca perder um game por falta ou de munição ou de bateria, isso não pode ser desculpa.

 

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5) Taticamente, vocês acreditam que são bem empregados nos jogos ou ainda existe um certo desconhecimento por quem “comanda”?

CASTRO: A função suporte com um “frente” (lider de esquadrão) mais experiente, somados a um coletivo coeso permite não apenas o bom emprego da função suporte, mas como de todo esquadrão. Poucas equipes possuem um suporte, poucas equipes possuem um frente experiente, poucas equipes tem o habito de treinar. Acredito que esses fatores ainda hoje acabam por limitar bastante a função de suporte.

MIKE: Até hoje nesse sentido eu posso me considerar um cara de sorte, pois tanto dentro da minha equipe, quanto dentro de algum squad, quando solicitado, acredito ter sido em momentos de necessidade, e empregado em situação para contribuir para o sucesso daquele objetivo parcial.

Mas dá pra se notar que ainda há a falta de conhecimento do papel do gunner em campo, a “popularização” do airsoft ajudou um pouco nisso, o camarada compra uma suporte e acha que é só atirar nos amiguinhos, como dito anteriormente, vai muito além disso.

TITI: Particularmente eu acredito que não.

Eu vou for falar pela a minha experiencia em big games, eventos e jogos em geral eu vou dizer que existe sim muito desconhecimento, mas ai não posso falar só do emprego dos gunner, mas teria que fazer um apanhado geral. Vamos ser sinceros, quem realmente lê as regras ao se inscrever em algum jogo ou evento?

Quem estuda e aplica essas regras preparando-se para os eventos? Eu sei que são poucos os times, grupos e comunidades que tem esse tipo de cuidado e educação e isso reflete direto em como usamos as ferramentas em jogo, e dentre elas de como usamos a SAW.

É comum tu ir a eventos, games cheio de expectativas, cheio de histórias enredo, com a aplicação das regras X, das Y e até as da CZ e chegar lá tudo não passar de mata-mata gigante. Ai a culpa não é não saber usar taticamente o gunner.

O que é fato, quando temos um time ou squad que sabe trabalhar com a SAW, eles literalmente não deixam os outros brincarem. Vale lembrar no airsoft tu até pode ser jogado sozinho, mas é um hobby de equipe.

6) Como lidam com a questão do peso e manejo das suas armas de suporte durante um evento?
 

CASTRO: Peso? Que negocio é esse de peso Aranha? (Nota do TR: Castro é uma espécie de X-MEN do Airsoft, um mutante com uma gunner…rsrsrs)

Nunca achei pesado. O que pode ocorrer é que armas como a M240B por serem grandes demais, acabam atrapalhando em cenários com mata fechada, mas pesado é um adjetivo que jamais atribuiria.

MIKE: Com o tempo a jogador aprende a melhor maneira de manusear a arma, a escolha da bandoleira ajuda muito, mas isso é algo pessoal, o que é bom pra mim, pode não ser bom pra outro, e vice versa, o lance é ver como cada um melhor se adapta.

A forma como descansar a AEG quando não está em combate, quando se está parado, quando está somente deslocando, em ambiente aberto, CQB, mato, sempre há uma forma melhor de posicionar a saw. Pronto alto, sul, descansar a arma na bandoleira, com o tempo a pessoa vai pegando os bizus de como melhor se adequar à suporte e suas posições em “N” situações.

TITI: É só evocar o mantra: Só + um pouquinho! Só + um pouquinho!

Falando sério agora, havia um tempo em que eu usava sempre loadout completo, penteadeira de puto mesmo. carregava até a pia da cozinha junto, H-Harnes completo, hoje só uso um chest Rhodesian com uma configuração “coringa” e um cinto.

Tenho mantido o meu loadout o mais leve e eficiente o possível. Privilegiando a mobilidade e ainda consigo carregar tudo o que é necessário tanto para eventos de longa duração quanto pros games normais.

Conforme o ambiente e o tipo de jogo eu ainda posso escolher entre a M60 e a Mk43, sendo a M60 da Ares muito mais leve, isso garante mais tempo de jogo sem se matar, agora se o local vai ter muito combate confinado, espaços fechados, muito cornner para ganhar, ai mesmo a Mk43 sendo muito mais pesada que a M60, por ser menor e mais fácil de manobrar eu acabo usando ela.

7) Para combates aproximados, CQB e afins, qual sua postura? Evitam, usam as armas assim mesmo ou tomam partido de secundárias?

CASTRO: Sempre optei pelo uso de armas secundarias em ambientes confinados. Não apenas pelas regras destinadas a armas de suporte em CQB impostas pelo GCA, mas pela convicção que ninguém gostaria de tomar um disparo em modo automático em ambiente confinado.

Uso uma Colt 1911 sempre.

 

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MIKE: Geralmente as regras dos eventos que participei até hoje, era proibido o uso de suporte dentro de ambientes confinados, a não ser que fosse de dentro da construção, para fora dente ambiente, EX: de uma janela, ou porta, para uma área externa e/ou aberta, sendo assim, para adentrar num CQB eu usava uma arma secundária, no caso um pistola GBB. Mas não abandonava jamais minha arma primária.

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TITI: Eu sempre uso as regras da casa.

Funciona assim, eu sempre uso as regras da casa, conforme for o local que vai ser feito o jogo ou evento eu sempre jogo dentro das regras estipuladas.

Agora vou voltar aos primeiros jogos de airsoft dentro da comunidade CZ. Quando começamos a jogar airsoft já possuíamos alguma experiencia com o paintball, já sabíamos que a distância de engajamento e dogfight são geralmente curtas e em lugares confinados é menor ainda e apesar do airsoft machucar menos que paintball ainda machuca, então logo os nossos primeiros jogos já eram com a regra de distancia e disparos em full-alto só dentro do limite de segurança.

Assim como em CQB disparo em full-alto só de fora para dentro do ambiente ou de dentro para fora, nunca em combate dentro do ambiente confinado. Até ai sem problema, dentro do CQB todo mundo em semi, agora como eu só tinha a M249 e ela só atira em full (até é possível controlar no dedo disparos em semi mas sempre escapa um burst). Nessa situação a gente faz o que pode, o que nessas situações era manobrar para não ficar preso sem ação dentro do CQB. Só posso dizer que tomei muito tiro antes de ter uma gun backup pra essas situações, hehehehe.

Hoje sempre faço uso da secundária, tanto em CQB quanto em dogfights em distâncias curta, mas sempre que possível eu evito ser o ponta.

Aqui vou aproveitar o gancho  e mostrar mais uma das dificuldades em ser o gunner, que é a regra da distância de engajamento e disparo em semi. Vou ser bem sincero, mesmo adotando essa regra desde o inicio do airsoft, acho uma regra ruim, cagada e criada só pra justificar a manutenção do limite de 400 FPS  adotado no Brasil. É a tipica regra tupiniquim meramente paliativa, afinal é mais fácil só permitir disparos em semi do que baixar o limite de FPS.

Só que se a regra dos disparo apenas em semi foi criada para evitar maiores lesões ao colega, porque apenas não baixar o FPS e assim evitar lesões em qualquer tipo de situação?

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8) Costumam colocar acessórios em suas armas, ou as deixam o mais leves possível?


CASTRO: Nunca encontrei muita necessidade de atrelar acessórios as minhas armas de suporte por realmente não sentir efetividade relevante nos mesmos. Não descarto o uso, mas quando o uso do mesmos se torna realmente relevante.


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: Eu nunca curti o uso de Red Dot, ou Scopes na suporte, sempre fui adepto do alça e massa (pra suporte, em armas de assault eu utilizada ópticos). O único acessório que eu usava nas minhas suportes eram os grips verticais, ou angulados, para melhor distribuir o peso dela, e melhor a pegada da mão fraca. Mas isso tb é algo muito pessoal, tem gente que gosta de encher a suporte de acessórios, transformando a AEG numa “penteadeira de puta“, no meu caso, quanto mais “clean” ela estivesse, melhor.

TITI: Bah, já teve tempo que as minhas armas eram literalmente penteadeiras de puto, só não pendurava a mão nela, haha. Hoje sou muito mais comedido nesse ponto, penso duas vezes antes de usar até a red-dot.Todo artificio que eu tenho para reduzir o peso delas eu uso, até as cinta de munição fake que eu uso são de plástico pra não carregar peso inútil. Acho que já falei, o meu sonho de consumo é uma M249PARA da Ares, de PLÁSTICO, hauhau.

9) Já teve problemas em campo devido a reclamações de Overshooting, ou de jogadores que não entendem a função e o funcionamento das armas de suporte?

CASTRO:  Só tive esse problema uma vez, foi na Operação Fenix II. Atirei contra uma arvore em mata fechada cheia de gente. Pela distância, toda gritaria não identifiquei direito quem tinha sido acertado e quem não foi. Um dos organizadores, o Dante, ao descer para próxima missão, foi categórico no esporro dizendo, “Castro, tem uma galera reclamando de você ficar podando árvore”.

MIKE: Já, mas isso obvio que foi totalmente sem intenção. Ou porque a distância era de média à longa, e quando foi dada a Rajada, entre o primeiro tiro pegar e até chegar o último, o amigo atingido foi alvejado várias vezes pela mesma rajada.

Ou em alguns casos, se eu estou atirando, e o camarada não se acusa como morto, vou continuar disparando até ele se acusar, pois pra mim, ele pode não estar sendo atingido, a BB pode estar descaindo antes, há uma série de variáveis antes de pensar em falta de honra por parte dele.

TITI: Sim, já fui até penalizado em evento por estar fazendo fogo de supressão para que o resto do time se aproximasse da abertura, adquirisse angulo e eliminasse os nossos oponentes e isso ser confundido como overshooting.

De novo  eu volto a falar da questão da cultura de ler e seguir as regras, é triste mas é normal tu encontrar até rangers em eventos e jogo que não dominam ou muito menos conhecem as regras.

Nós estamos ai com quase 10 anos só de airsoft no Brasil e ainda temos esses tipo de problemas.

A minha pergunta é que tipo de airsoft nós estamos criando e qual é a cultura que vamos nós vamos criar?

10) O que você falaria para um jogador que está pensando em comprar uma arma de suporte e jogar nessa função?


CASTRO: Treine muito o coletivo, pra mim, com certeza isso é o essencial. Aprenda a se posicionar como um suporte, esteja sempre em sintonia com o líder de esquadrão e seu equipamento

Por fim, treine, treine muito!

MIKE: Antes de tudo, pedir para algum amigo ou conhecido para ver a suporte, se possível jogar com ela por alguns minutos, ou em um evento, pois já vi inúmeros casos de pessoas que compram a suporte por achar que vão “bancar” e depois de 1, 2, ou 3 jogos resolvem  vender por estarem com dor ou na coluna, ou no braço.

Escolher uma arma que lhe dê opções de peças de reposição no mercado, e upgrades se possível. Como já disse de nada adianta ter a arma dos sonhos e se der um problema, ela vai ficar parada, sem poder jogar, ou até mesmo sem poder passa-la adiante.

Se o camarada gosta de ser P1, ou P2, ele provavelmente terá que abdicar de sua preferência, já que um suporte, “geralmente” fica mais atrás na patrulha, terceiro, quarto homem, etc…mas isso vai depender muito da equipe e da configuração da patrulha. Estar disposto a gastar um pouco mais para comprar BBs rs. De resto é só diversão.

TITI: – You touch you buy!  You touch you buy!  hauhau.

Sério, depois que tu é contaminado com a doença do gunner tu não consegue largar.

“Ter uma SAW não te faz um gunner.”

TACTICAL ROOM
Dinamismo I Integridade I Mentalidade

By | 2017-07-12T21:40:34+00:00 julho 11th, 2017|0 Comments

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