A INEXORÁVEL FÚRIA! – *por Marcelo Utsch

//A INEXORÁVEL FÚRIA! – *por Marcelo Utsch

A INEXORÁVEL FÚRIA! – *por Marcelo Utsch

A INEXORÁVEL FÚRIA!

Imaginem a cena… um estádio cheio… um clássico com os grandes rivais da bola… duas torcidas inflamadas, cheias de razão… bandeirões, organizadas, camisas e cores transbordam em uníssono o clamor por suas verdades! O calor, a emoção, as lembranças dos resultados e decisões favoráveis ou desfavoráveis do passado recente… ou a mágoa indelével do algoz que lhes furtou o título bem antes de você sequer saber o que era futebol… tensão no ar… a arquibancada vibrando a cada salto da multidão…

No meio do caos… um gol é feito!!! Ambas torcidas gritam por motivos opostos… mãos para o alto em comemoração… mãos na cabeça em flagrante decepção…

Na torcida que lamenta, alguém se eleva acima do desespero e comemora ineptamente o gol do adversário! É GOOOOOLLLLLLL!!!!!!!!!!

Qual o desfecho você leitor pode imaginar? Qual o destino do infeliz que em momento inoportuno, de forma errada, pautado em fatos que não lhe são claros, acabou por externar o avesso do sentimento coletivo naquele instantâneo da vida?

Pois bem… vivemos no país da bunda e do futebol não é mesmo? Todos nós bem sabemos que esse infeliz será linchado, pisoteado, triturado e despedaçado por cada elemento possível em um raio de centenas de metros à partir do epicentro de deflagração do evento.
Ele será covardemente espancado até mesmo por quem nem sabe do que se trata, apenas pelo fato dele estar sendo alvo da inexorável fúria do coletivo.

Triste e brutal… Às vezes rápido… Às vezes bem lento e agonizante.
Em poucos casos, a vítima sobrevive… na certa com traumas físicos e psicológicos que lhe acompanharão para o resto da vida.

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Esta semana, numa pequena e pouco conhecida cidade do Pará, um pequeno grupo de novatos no Airsoft foi a um programa local de uma produtora afiliada de uma das grandes redes de TV aberta brasileira, para explicar para a sociedade dali, o que era aquele diferente hobby que eles praticavam.
Como neófitos que são e carentes de uma pesquisa mais profunda, contaram à apresentadora fatos errôneos sobre o MilSim, as origens do Airsoft no Brasil e outros enganos nem tão profundos.
Claro… em tempos modernos, não tardou à matéria chegar ao YouTube e a cair nas graças – ou desgraças – da nossa irremediável comunidade de praticantes de Airsoft, em nossas mais diversas interpretações da modalidade.

Como o rapaz que comemorou o gol na torcida errada, os membros daquele pequeno time do interior do Pará foram – e ainda estão sendo – triturados pela fúria do nosso coletivo.

Entre seus crimes capitais, elevaram a penalidade máxima a citação que certo indivíduo – que não é de forma alguma uma unanimidade dentro do nosso hobby – a patrono do Airsoft no Brasil.
Mal sabem eles quem é o Parafal, o que foi o fórum Airsoft Brasil, qual o ano em que as coisas começaram de fato a acontecer para fazer o Airsoft florescer em nosso solo… O que foi a QG ou a Camuflagem… o que é o DLog e o Colog… Milsim, ForFun, SAR, Real Action… na verdade, eles não sabem quase nada mesmo.

Mas dentro do nosso pequeno universo de alguns milhares de praticantes, quantos praticantes – percentualmente – sabem desses fatos? Quantos novatos sabem disso? Quantos brasileiros pesquisam de fato informações sobre qualquer assunto que seja?
Sobre o “certo indivíduo”, vimos em 2016 um evento nacional de Airsoft em que ele compareceu – fazendo sem auto-marketing usual – e foi bem recebido, dezenas de Selfies, ganhou a alcunha de Embaixador do Airsoft no Brasil… bah… inacreditável… mas ocorreu.

Recentemente esse embaixador-marketeiro foi nacional e internacionalmente execrado por apoiar a empresa dona do monopólio de armas de fogo no Brasil. Sem entrar demasiadamente no assunto, basta dizer que os operadores reais e atiradores esportivos que sofrem, com os equipamentos deficitários dessa empresa em sua rotina, não perdoaram o apoio do Pseudo-Special-Weapons-And-Tactics a tal empresa e seus produtos. Mas enfim…

Em dezembro de 2016 houve em Curitiba/PR um encontro de praticantes de Airsoft que tinha o propósito de discutir os rumos do Airsoft nacional. Um dos pontos altos do evento foi o debate sobre o suporte aos novatos – que na grande maioria das vezes – se sente abandonado e sem referências sólidas à seguir. Muito foi falado e a conclusão geral é que falta aos veteranos e aos novatos um pouco mais de interação e principalmente comunicação.
Vivemos em tempos que tudo é filmado… em que tsunamis de imagens invadem as mídias sociais e que o garimpo de boas fontes se torna cada vez mais difícil. Exemplos nem sempre corretos são elevados a ídolos nacionais…
Mazelas dos tempos modernos? Pode até ser… mas é você? Qual seu papel nessa história toda? A mão que lança e pedra ou a mão que ajuda a levantar? Quem escorraça ou quem mostra o caminho?

Sobre o episódio, poucos sabem que naquele pequeno município, cresce a criminalidade e que o uso de armas de airsoft para fins ilícitos tem se tornado cada vez mais comum. Pouco tempo atrás, a esposa de um radialista foi assaltada e após os bandidos serem capturados, foi apreendida em sua posse uma arma de airsoft. Bastou para o radialista deflagrar uma cruzada contra o airsoft, bradando pelas ondas do rádio impropérios que os praticantes deste demoníaco esporte são degenerados, criminosos e inimigos da sociedade.

O que fizeram os rapazes do time – pais de família, empresários, profissionais liberais – em face de tamanho e injusto desagravo? Procurar um direito de resposta que desse a comunidade a real versão dos fatos sobre a prática do Airsoft na cidade.

Junto com essa satisfação a sociedade local, foram embarcadas as incorreções e deméritos históricos sobre a linhagem do MilSim e do Airsoft no Brasil. Só isso.
Então meus amigos… o que farão vocês agora?

Desferir o golpe ou estender a mão?

NEVER STOP

*Marcelo Utsch é co-autor do TACTICAL ROOM.
Um dos criadores do Galos de Briga (uma das equipes mais antigas do país!), e um dos responsáveis pela implementação da prática “REAL ACTION” no Brasil. Um cara que tem uma enorme bagagem, que enriqueceu (e ainda enriquece!) muito a prática do Paintball e o Airsoft em terras tupiniquins.

TACTICAL ROOM
Dinamismo I Integridade I Mentalidade

By | 2017-01-27T00:39:32+00:00 janeiro 27th, 2017|4 Comments

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4 Comments

  1. Danilo 1 de fevereiro de 2017 at 15:30 - Reply

    Excelente! Como sempre o Marcelo dando um show de conteúdo.

    Por muitas vezes tentamos ajudar quem não quer ser ajudado. Isso por si só já nos deixa de saco cheio e quando ocorrem casos como este infelizmente na maioria das vezes a reação é correr para criticar sem mesmo saber o que acontece nos bastidores.
    Acho que temos que nos policiar quanto a isso e oferecer a nossa ajuda, pois quem quer ser ajudado corre atrás.

  2. Vitureia. 27 de janeiro de 2017 at 05:18 - Reply

    Sem mais, muito bom.

  3. Oliveira 27 de janeiro de 2017 at 01:12 - Reply

    Uau! Que poste foi esse? Muito bem irmão, as vezes esquecemos que um dia também inciamos em algo.. “Ninguém nasce sabendo” e “Todos estão Propícios á erros”.. A diferença é que depois de todo caminho percorrido iremos ajudar os demais que estão iniciando a jornada?!! ou iremos atrapalha-los em meio ao caminho??!! Uma mão sempre é bem vinda!.. Não são todos que tem esse caráter Marcelo, Você está de Parabéns!..

  4. Belizário Albino 27 de janeiro de 2017 at 01:01 - Reply

    Parabéns pelas palavras Marcelo, falou a verdade, infelizmente quando é pra ajudar a fila é bem pequena, mais quando é pra criticar a fila e enorme. Mais ainda bem que ainda existe pessoas boas com comprometimento com o nosso esporte. Compartilho da sua opinião. Tamo junto irmão.

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