TC3 (TACTICAL COMBAT CASUALTY CARE) NO AIRSOFT

//TC3 (TACTICAL COMBAT CASUALTY CARE) NO AIRSOFT

TC3 (TACTICAL COMBAT CASUALTY CARE) NO AIRSOFT

Hop!

No último Tactical Talk (sobre a Operação Fênix), comentei sobre a utilização das “bolsas de sangue” por parte do médico, onde a utilização da mesma trazia uma dinâmica muito bacana e mais realista, principalmente frente à utilização das bandagens -brancas- que muitos estão acostumados a jogar.

Visando melhorar este cenário (e expandir o contexto para os que da Fênix não participaram), trazemos aqui o “conceito” do TC3, bem como os materiais necessários para criação; além dos cenários e opções disponíveis para sua utilização.

De antemão, é importante deixarmos claro que este post não irá habilitá-lo ao TC3 REAL (infelizmente, devido a existência dos muito mitomaníacos “dodóis” da cabeça, dou-me ao direito de deixar clara esta questão); o mesmo visa apenas e tão somente as práticas direcionadas e relacionadas ao Airsoft. 

 

DEFINIÇÃO:

TC3 = TACTICAL COMBAT CASUALTY CARE, em tradução livre, seria algo como: “Combate Tático Cuidados com o Ferido / Acidentado”. Tudo isso significa, nada mais nada menos, os primeiros socorros prestados no campo de batalha ao ferido em combate.

No mundo real as principais causas das mortes em combate ocorrem  por:

  • Hemorragia de extremidade (60%),
  • Tensão de pneumotórax (33%)
  • Obstrução aérea (6%).
  • Outros (1%)

Refletindo sobre essa informação, podemos traçar um paralelo interessante sobre nossa atividade, senão vejamos: como a principal causa das mortes são hemorragias de extremidades (coxas, pernas, pés; braços, ante-braços e mãos) é válido afirmarmos que a partir do momento em que o jogador é atingido a PRIMEIRA VEZ (ainda que, não necessariamente nos locais supracitados) teremos – estatisticamente-  a probabilidade e  possibilidade de utilizar o primeiro atendimento com a bandagem elástica em um dos seus braços e/ou pernas.  Desta forma, estaríamos de acordo com as estatísticas e teríamos o fator diversão mantido (dando uma segunda oportunidade – futura-  ao jogador de ser atingido).

 

FASES E APLICAÇÕES DO TC3: 

No Airsoft (ao contrário da vida real), o TC3 pode ser dividido em apenas 2 fases, a saber:

  • 1º Fase: Cuidados sob fogo (Under Fire Care)

Nesta primeira fase, o jogador atingido (que chamará pelo médico) deverá ficar exatamente no local onde foi atingido (evitando deslocamento “maroto” para burlar e se abrigar) e receberá o primeiro atendimento DE QUALQUER OUTRO JOGADOR DO SEU EXÉRCITO (ou aliado), pois nesta primeira fase o material a ser utilizado será a ATADURA ELÁSTICA que cada um deverá trazer consigo! Ela fará parte obrigatoriamente do kit (assim como o pano vermelho) pessoal de jogo!

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Exemplos de ataduras elásticas encontradas em qualquer farmácia.

 

Obs.: O jogador ferido (e que o local esteja sob fogo) poderá ser conduzido (até mesmo arrastado, caso assim permita) até local mais seguro para que os cuidados sejam prestados. O que NÃO deverá acontecer nessa manobra é a perda de contato entre o resgatista e o ferido! Caso isso ocorra, o ferido ficará no local onde o contato físico foi perdido e aguardará ser resgatado novamente (retomada do contato físico) para, no fim, receber a aplicação da bandagem elástica.

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Resgate realizado no local. Perceba que o resgatista pode, a qualquer momento, responder ao fogo inimigo.
Apenas o ferido é que não poderá manipular nenhum objeto até que esteja 100% curado.

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Em decorrência do perigo (em ser atingido), resgatista opta por deslocar o ferido até um ponto mais seguro a fim de
aplicar corretamente o socorro (bandagem elástica). 
Neste momento, o contato entre ambos é fundamental, pois caso seja
perdido, o ferido deverá ficar onde está até que àquele seja retomado.

Nesta fase, o “bleeding time” (tempo de sangramento / hemorragia pós recebimento do primeiro disparo) poderá ficar a critério da organização, mas – via de regra – utiliza-se pelo menos 5 minutos (por isso a importância de cada jogador trazer consigo um relógio de pulso para marcar este tempo da hemorragia)

BTHemorragia: Este tempo poderá ser pré determinado pela organização (ex.: Fênix V = 5 min).

 

2º Fase: Cuidados no campo tático (Tactical Field Care)

Nesta segunda fase, o jogador ferido (pela segunda vez) deverá receber -APENAS ATRAVÉS DO MÉDICO- a “transfusão sanguínea” com a utilização das bolsas de sangue.

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Médico prestando atendimento real, mas plenamente contextualizável à nossa realidade, conforme descrito abaixo.

 

Essa bolsa (de soro fisiológico, encontrada em farmácias) funcionará como uma ampulheta, onde o local em que o líquido estiver deverá ficar suspenso para viabilizar o deslocamento do “sangue” da bolsa A para a bolsa B (que estará vazia). Algo interessante em se levar em consideração é a proporção do volume de líquido / tempo em que o mesmo sai da bolsa A para a B, mantendo assim um tempo razoável (5 minutos, por exemplo) nesta operação.

 

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Exemplo de uma “bolsa de sangue” confeccionada pelo “Crocodilo” da equipe Lobos.

 

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Exemplo de uma “bolsa de sangue” confeccionada pelo Pedro e Yuri (05 e 06, respectivamente)
da equipe SO4 a ser utilizada nos eventos de 2016.

 

Vale ressaltar que quando ocorrer a utilização da bolsa, 2 caminhos poderão ser tomados (a depender da organização):

CAMINHO A – Após receber a transfusão, o jogador – se caso novamente atingido – deverá obrigatoriamente retornar ao respawn para poder voltar ao jogo.

CAMINHO B – Após receber a transfusão, o jogador retirará a bandagem de um dos braços (do primeiro ferimento) e estará zerado, podendo ser atingido novamente mais 2 vezes (bandagem + transfusão) e assim sucessivamente. Este modo torna o jogo mais dinâmico, trazendo o conceito do “respawn móvel”.

A opção escolhida deverá respeitar critérios como: tamanho do campo, número de participantes, dentre outros.

OBSERVAÇÕES: 

As técnicas são focadas para o atendimento em campo, visando “traumas” ocasionados dentro do contexto dos jogos.

• A utilização da atadura elástica é essencial, e cada jogador deverá adquirir a sua. São mais resistentes e fixam melhor que as ataduras “brancas”.
• O equipamento deve estar de fácil acesso e identificado, pois cada jogador é tratado com o PRÓPRIO equipamento.
• Na situação de resgate de jogador ferido, a prioridade é retirar o ferido da “Zona Quente”, os fogos sobre o inimigo garantem a extração do ferido, não visam neutralizar, mas saturar a posição do agressor.
• O retraimento da equipe de “saturação” é feita através do “center peel” ou retaguarda “ponto-a-ponto longa”.
• Manter o atendente seguro e utilizar outro jogador menos habilitado no resgate do ferido. O objetivo é manter a integridade do médico durante o resgate do ferido.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Sabemos que esta é apenas UMA DAS FORMAS de adaptarmos a figura do resgatista / médico em campo. O que posso afirmar é que esta opção foi utilizada COM ENORME sucesso na Operação Fênix V (obrigado G.E.A.R!), e além de ser extremamente funcional, é uma solução BARATA e FÁCIL de ser produzida, equalizando o famoso “custo x benefício”, que tanto se busca.

Obviamente não precisamos dizer (mas diremos!) que a HONRA e a CONFIANÇA nos jogadores participantes em respeitar os critérios é fundamental.

Agradecimento ao G.E.A.R pela ideia e implementação da mesma, ao Crocodilo (LOBOS / Brasília) pela confecção da “versão 1.2” do KIT, e ao Pedro e Yuri (SO4) pela confecção da “versão 1.3”, com algumas melhorias.

Força & Honra!

 

BIBLIOGRAFIA E CONSULTAS:

MARSOC TC3 Combat Protocol
Esperandio Tactical Concept
North American Rescue

 

By | 2015-12-01T18:53:57+00:00 novembro 29th, 2015|0 Comments

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