COMUNIQUE-SE!

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COMUNIQUE-SE!

Hop!

Moçada, o tema que traremos hoje refere-se à importância da comunicação entre os jogadores durante as partidas. Ela é considerada tão importante, que compõem a tríade de combate elencada pelos norte americanos, que é: ATIRE / MOVA-SE / COMUNIQUE-SE.

 


Dentre o universo referente à comunicação, existem ainda sub-divisões que podemos por em destaque, que são:

  • Comunicações Visuais: Para que o jogador identifique este tipo, basta que ele verifique visualmente, por exemplo, os sinais de mão passados pelos demais jogadores, ou -ainda- observe na trilha que estiver passando, algum tipo de dispositivo deixado por outro esquadrão aliado (uma seta feita de galhos e folhas, por exemplo). Tal comunicação utiliza-se de sinais, cores ou formas para a transmissão da mensagem.

Sua vantagem é justamente a discrição (zero ruído), tendo como desvantagem a dificuldade da percepção, caso o emissor esteja longe ou se o receptor desconheça o sinal relacionado.

 

Operador utiliza do sinal de mão para passar a mensagem.

 

Vídeo do Utsch (Galos de Briga) sobre sinais de mão.

Obs.: Percebam que apesar de existirem padrões consagrados, não existe a obrigação de você ou sua equipe utilizarem exatamente os já existentes, ficando ao critério do grupo quais utilizar. O ideal é que utilizem os conhecidos, desta forma vocês conseguirão comunicar-se a contento com as demais equipes, mas – novamente – não existe uma obrigatoriedade.

  • Comunicações Auditivas: Para que o jogador identifique este tipo, basta que ele ouça, por exemplo, uma ordem de comando vinda do líder do esquadrão, ou ainda, algum sinal sonoro que identifique algo previamente combinado (a explosão de um rojão, que irá caracterizar-se pela destituição de um helicóptero abatido, no contexto da partida).

Sua vantagem é a possibilidade de dosar a intensidade com que é utilizado, podendo ser alto ou baixo, a depender do que se deseja; um grito, um sussurro ou até mesmo uma explosão. Padece de problema semelhante à comunicação visual; a dificuldade da percepção caso o emissor esteja longe.

 

O rádio é uma ferramenta fundamental para a boa comunicação entre os jogadores durante os jogos.

 

  • Comunicações Sinestésicas: Para que o jogador identifique este tipo, basta que ele sinta o contato físico (ôpa! rs) do companheiro consigo. Um toque, um tapa, uma pressão no obro pode ser o sinal verde para o “ponta 1” adentrar em um ambiente confinado, puxando a coluna tática à reboque.

Sua vantagem é uma percepção facilitada devido ao toque, a capacidade de dosar (tapa, toque, pressão) e a ausência de ruído. Tem como desvantagem a obrigatoriedade da proximidade do companheiro para que o mesmo desfira o “golpe”.

 

Cena do filme “Lágrimas do Sol”, onde durante uma manobra (Center Peel), o primeiro homem dá um “tapa” no ombro do segundo, informando o deslocamento.

Como podem perceber, existe um “mundo” a ser explorado quando tratamos de comunicação direcionada aos jogos, além do que, nosso objetivo não é esgotar o tema em um único post, entretanto, existe uma comunicação a qual considero de fundamental importância, que é a COMUNICAÇÃO DE EMERGÊNCIA.

COMUNICAÇÃO DE EMERGÊNCIA

A comunicação de emergência é uma ótima ferramenta a ser utilizada em momentos distintos, em que existe uma necessidade momentânea do jogador ter, para si, a atenção de um (ou mais) companheiros do grupo. É uma necessidade tamanha, que os demais focarão “nele” (interrompendo o que estão fazendo) para que possam auxiliá-lo.

Obviamente não dá para parar um esquadrão inteiro, mas sim os mais próximos ao jogador que “chama” para si a atenção.

Tal necessidade se dá em, basicamente, em três ocasiões:

– RECARGA: Jogador – em meio ao combate – necessita realizar uma recarga (seja esta tática ou emergencial) e solicita ao companheiro mais próximo (ou mais disponível) cobertura para a realização da manobra.

– PANE NO EQUIPAMENTO: Jogador – em meio ao combate – necessita sanar pane no equipamento e solicita ao companheiro mais próximo (ou mais disponível) cobertura para a realização da manobra.

– DIVERSOS: Jogador – em meio ao combate – necessita realizar algum tipo de ação que demanda necessidade de cobertura.

Percebam que a CE não deve ser utilizada sem sua REAL necessidade, pois ao ser evocada, demanda – quase que obrigatoriamente – o apoio de um (ou mais) jogadores do esquadrão, que poderiam estar realizando outra ação frente ao contexto da partida.

Basicamente, as palavras que se utiliza são:

ALFA / BRAVO / PRONTO / OK

  • Jogador 1 grita: “ALFA!”, que quer dizer: “Atenção, preciso de ajuda/ cobertura!”
  • Jogador 2 grita: “BRAVO!”, que quer dizer: “Ok! Dando cobertura!”
  • Jogador 1 grita: “PRONTO!”, que quer dizer: “Recarga Efetuada / Pane Sanada!”
  • Jogador 2 grita: “OK!”, que quer dizer: “Compreendido, voltarei minha atenção para o que estava fazendo anteriormente.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES:

Notem que é muito mais rápido utilizar esta comunicação do que emitir frases maiores “explicando” a ação desejada ou realizada. Além disso, não se expõe para o inimigo o que está sendo feito.

Outro fator a ser considerado, é que esta comunicação não necessariamente deve ser feita apenas quando um outro jogador esteja por perto. Ao sinal de “ALFA”, o jogador mais próximo pode não conseguir realizar a cobertura (o “BRAVO”!), mas sim outro que estiver em uma posição mais distante, contudo, com capacidade momentânea e situacional em dar o “BRAVO” e executar a cobertura necessária.

Em ambientes confinados, onde não se quebrou ainda a disciplina do silêncio (ou disciplina de ruído), o jogador que precisar realizar algum tipo de procedimento emergencial, em vez de gritar “ALFA”, deverá ajoelhar (com apenas um dos joelhos) para sinalizar (visualmente) à outro jogador que precisa de cobertura. A famosa “torre”, mas sem engajamento, pois ele estará sanando a pane / ocorrência.

Sempre quem “pede” o “ALFA!”, deverá pedir e tentar se abrigar da melhor maneira possível, pois estará – momentaneamente – fora de combate.

O jogador que está com pane e ou necessita realizar recarga ou algum procedimento emergencial, precisa VERIFICAR sua REAL NECESSIDADE em realizar o “call” (chamado), pois por vezes será mais fácil sanar o problema do que demandar todo o ciclo de “ALFA – BRAVO – PRONTO – OK”.

As palavras deverão ser ditas o mais alto e claro possível! Como, via de regra, são proferidas em situações de combate, precisam ser emitidas com CLAREZA para que os demais possam ajudar.
Na imagem abaixo, apesar de não termos os “frames” da ação, creio que seja possível a visualização, senão vejamos:

a) Ao perceber a pane, o “jogador 1” agacha e grita “ALFA”.

b) Prontamente, o “jogador 2” percebe o que está ocorrendo e grita “BRAVO”

c) “Jogador 1” sana a pena, e grita “PRONTO!”

d) “Jogador 2” grita “OK” para confirmar o entendimento e ambos voltam ao combate.

 


Em alguns vídeos de forças militares norte americanas que pude ver, eles utilizam os “nomes corretos” (vamos assim dizer) para as ações, por exemplo:

Drill de disparos à frente com recarga tática:

– Operador 1 – “Reloading” (ainda de pé, mas aguardando o “ok” para ajoelhar-se e iniciar a recarga)
– Operador 2 – “Reload!”
-Operador 1 “Standing” (olhando para trás, para fazer dupla verificação, neste caso, visual e auditiva)
-Operador 2″ Stand!”

Ou seja, o operador 1 precisou recarregar e gritou: “Recarregando!”. Prontamente, o operador 2 respondeu com “Recarregue!”. Após a recarga, o operador 1 precisou sinalizar que estava levantando-se (inclusive, para evitar o recebimento do disparo acidental por parte do operador 2) e este, por sua vez, confirmou: “Levante-se!”

É importante mostrarmos que não há uma necessidade de engessar o uso das palavras. Você poderá combinar com sua equipe quais palavras vocês utilizarão, e que condições elas devem ser ditas!

O treinamento deste procedimento é muito bacana e extremamente funcional, pois percebe-se, com o tempo, que sempre haverá alguém na equipe para dar o “BRAVO” e complementar o “ciclo”.

TACTICAL TIP:

A dica do mês de Março / Abril, é o livro: GUERRAS SUJAS, do mesmo autor do BLACKWATER.

Sinopse:

“Nesta história pouco convencional da Guerra ao Terror, o jornalista Jeremy Scahill busca o novo paradigma da política externa norte-americana: a luta longe dos campos de batalha declarados, por unidades que oficialmente não existem, em milhares de operações para as quais não há dados oficiais.

Conduzindo o leitor por uma viagem vertiginosa do Afeganistão ao Paquistão, de Washington ao Iêmen e à Somália, do Reino Unido ao Iraque, na tentativa de entrevistar agentes secretos, mercenários, líderes de organizações terroristas e parentes de vítimas, Scahill revela vidas por trás das sombras e uma nova visão da guerra contemporânea a partir de histórias que um olhar desatento julgaria desconexas.
Entrelaçando relatos que abrangem desde os primeiros dias do governo Bush até o segundo mandato de Obama, o autor nos apresenta os homens que comandam as operações mais secretas das forças armadas americanas e da CIA, histórias de participantes que passaram a vida incógnitos, alguns dos quais contribuíram com o livro sob a condição de não ter sua identidade revelada.

O mundo sabe que a Equipe 6 dos Sea, Air, Land Teams (SEALS) e o Comando Conjunto de Operações Especiais (Joint Special Operations Command, JSOC) foram as unidades que mataram Osama Bin Laden. Este livro revelará missões até agora desconhecidas dessas mesmas forças, que nunca serão discutidas por políticos norte-americanos nem imortalizadas em filmes de Hollywood.”

Para comprá-lo, eis o link do BUSCAPÉ:

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Força & Honra!

Aranha

originalmente postado em: segunda-feira, 30 de março de 2015, no antigo blog tacticalroom.blogspot.com.br

By | 2015-10-14T18:23:45+00:00 outubro 14th, 2015|1 Comment

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